
Cine Clube Villa Maria (Ciclo Cine ao Redor de uma Mesa) - sábado 1 novembro, 16:30h
"Sidney Lumet cresceu no teatro. Trabalhou na Broadway desde criança, sendo cooptado pela televisão no começo dos anos 50. Realizou diversos teleteatros até debutar no cinema em 1957 comDoze Homens e Uma Sentença. O filme foi um fracasso. Muito se falou de sua estética televisiva e de sua propensão teatral. De fato, quando doze homens se fecham em uma sala abafada para discutir se um homem é inocente ou culpado de um crime contra seu próprio pai, pode se esperar que a direção seja escrava da encenação.
Lumet sabe evitar essa armadilha e constrói, apesar de sua inexperiência na tela grande, uma obra de puro cinema. Uma verdadeira aula de mise en scène cinematográfica. Não é teatro filmado, porque não temos apenas um plano geral, mas sim uma variação de planos fechados, mostrando as expressões dos atores, de vários ângulos, buscando entrar no sistema nervoso de seus personagens.
A mobilidade da câmera num espaço limitado também é um trunfo. O calor e a falta de ventilação na sala amplificam o clima claustrofóbico. Os enquadramentos, primorosos, reforçam a impressão de que cada jurado se desnuda psicologicamente (já que não pode ser fisicamente) para defender seu ponto de vista.[..]
[...]Doze Homens e Uma Sentença inscreve-se, com louvor e por vias tortuosas, no rol das grandes obras humanísticas. Da concretização dos ideais democráticos, parte para um redimensionamento do valor de uma vida. Pode ser considerado, ao lado de Ox-Bow Incident(Consciências Mortas, 1943) de William Wellman, como um grande libelo contra a pena de morte, ainda que, no filme de Lumet, não seja necessariamente a legitimidade da execução de um ser humano que está em discussão, mas a possibilidade da dúvida para absolvê-lo? São ideais democráticos que estão em jogo. Mas, em meio a tantas discussões, há uma tomada de consciência dos jurados com a importância de uma vida, e essa conscientização é o grande mérito do filme, afinal sempre haverá dúvidas. E Henry Fonda, que no mesmo ano foi o Homem Errado de Hitchcock, pôde se gabar de uma belíssima estréia como produtor."
Sérgio Alpendre - Contracampo.com.br












