A tecnologia nos libera dos produtores, editores e outros intermediarios. Mas nos enfrenta com o desafio de mostrar que somos capazes de criar. E agora?
terça-feira, 30 de junho de 2009
No há desculpas
Que a internet é uma maravilha, ninguém mais contesta. O assunto é que ela trouxe um problema para aqueles que sempre quiseram se expressar e não podiam por falta de espaços de comunicação: agora há. De graça, e ao alcance de todos. Acabaram as desculpas.
Assim como os jornalistas da região continuam choramingando pela não exigência do diploma, em vez de procurar formas de exercer sua profissão de forma independente (querem ter a exclusividade de trabalhar sob a tirania dos 'Barões' que tanto desprezam), existe na área audiovisual a crença de que fazer cinema é caro e praticamente inviável sem o apoio financeiro de alguma instituição.
Bem, boas e más noticias: Youtube, pessoal. Boa, porque basta uma câmera, um computador e criatividade para realizar e divulgar um filme. Má, pelas mesmas razões.
O cinema, da forma como o conhecemos, é certamente uma disciplina complexa e costosa. Mas quem disse que deve continuar assim? Antes do que sonhar com fazer um filme e projetá-lo numa sala convencional para 150 pessoas, não é bem mais legal pensar em fazer um filme e colocá-lo na web, onde será visto por milhares?
E pra quem diga que o Youtube não está à altura do Cinema, em termos de qualidade "artística", aqui vai um exemplo: David Wain.
David Wain é um cara que é comediante, ator e diretor. Praticamente desconhecido no Brasil, realizou vários filmes independentes como "Wet Hot American Summer" "The Ten" e, recentemente "Role Models" o seu primeiro longa feito com o apoio de um grande estudio de Hollywood.
Mas além de seu trabalho como diretor 'convencional', Wain tem uma interessante 'webgrafia'. Fez vários trabalhos que podem ser apreciados no Youtube. Os "Stella Shorts" são curtas que realizou junto com Ian Black e Michael Showalter, e se caracterizam por um humor pastelão e absurdo que lembra bastante aos Monty Python.
Mas o grande trabalho de David Wain são os 'Wainy Days'. É um seriado cujos capítulos não ultrapassam os 5 ou 6 minutos, e que contam a vida de um rapaz obsessionado por encontrar o grande amor da sua vida. Dá pra ver que estão realizados praticamente sem dinheiro, mas com muitissima criatividade e, o melhor, com uma absoluta liberdade. Alguns diálogos em inglês podem não ser compreendidos, mas isso não é tão importante. Eu me divirto com algumas frases sem entendé-las, apenas vendo a forma como elas são ditas. Vejam este exemplo:
A tecnologia nos libera dos produtores, editores e outros intermediarios. Mas nos enfrenta com o desafio de mostrar que somos capazes de criar. E agora?
A tecnologia nos libera dos produtores, editores e outros intermediarios. Mas nos enfrenta com o desafio de mostrar que somos capazes de criar. E agora?
segunda-feira, 29 de junho de 2009
DUNGA-DUNGA

[...]Se você vai atirar no Brasil, aponte na cabeça. Se ele se levantar, vem o Dunga-Dunga. Não o sabia o inocente Estados Unidos, que se relaxou com o 2-0 e não soube ou não quis liquidar um rival que jogava com nove caras no campo adversário.[...]
___________________________________________
Obs: o término Dunga-Dunga vêm de uma boba e popular piada argentina (que talvez tenha seu equivalente no Brasil) que é contada mais ou menos assim:
Um explorador européio tinha se aventurado no coração da África, numa região de tribos desconhecidas. Acabou sendo capturado por um grupo de ferozes nativos, de grande contextura física. O chefe dos selvagens aproximou-se ao explorador e lhe disse:
- Escolhe: dunga-dunga ou a morte.
O explorador não sabia o que significava, mas como não queria morrer, elegeu aquele 'dunga-dunga'. "Muito bem", disse o chefe, "dunga-dunga, então". E na sequencia o explorador foi violentado por cada um dos grandes e vigorosos nativos, que o abandoraram depois de ficarem satisfeitos.
O explorador conseguiu continuar sua marcha, não sem pouca dificuldade, até ser surpreendido por outra tribo de africanos, um pouco maiores em altura do que os anteriores, os quais aparentemente falavam a mesma lingua, pois deram ao explorador a escolher: "dunga-dunga ou a morte".
Como ainda valorizava sua vida, o européu, embora ciente do significado daquela expressão, escolheu o "dunga-dunga". O processo de estupro coletivo foi um pouco mais demorado e doloroso. Depois de um periodo de tempo impreciso, mas que para o explorador pareceu-lhe uma eternidade, os negros foram embora.
O homem branco se arrastava lentamente no chão poeirento da savana africana, quando deram seus olhos com uns pés imensos. Tão grandes eram que achou não pertencerem a seres humanos. Mas o branco levantou seu olhar e confirmou o pior: esses pés eram de homens. Homens descomunais, é verdade, mas ainda homo-sapiens. E adivinha o que esses monstros de ébano falaram pro nosso héroi? Isso mesmo: dunga-dunga ou morte.
Com a sua moral completamente quebrada (assim como outras áreas do seu Ser), o branco, renunciando agora a qualquer esperança de vida ulterior honrosa, achou por bem terminar com esse sofrimento de vez.
- Escolho a morte.- disse, vencido.
- Muito bem, - replicou o chefe dos gigantes - mas antes da morte... dunga-dunga!
sexta-feira, 26 de junho de 2009
O peso da Camisa
Se o lateral do Barcelona não tivesse acertado aquele terrivel chute na trave de Kuhne, poderia ter sido Luis Fabiano, Kaká ou Robinho quem fizesse o gol da vitória. Ou seja, teria chegado na decantação. Porque quando precisa, Brasil ganha. É grande. Demais. Essa história de ter um mal dia e perder numa semi-final contra uma zebra pode lhe acontecer a uma seleção como a espanhola, com menos experiência em lutar por coisas importantes. Mas à verde-amarela lhe alcançou com o peso da sua camisa para vencer 1-0 a África do Sul e deixá-la para atrás.
Do jornal esportivo Olé.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
ABAIXO A LIBERDADE, VIVA A REGULAMENTAÇÃO
quarta-feira, 24 de junho de 2009
A FLECHA DO TEMPO

No dia 17 de janeiro de 1976, o fotógrafo argentino Diego Golberg tirou uma foto de sua mulher Susy, e outra dele próprio. E continuou tirando nos anos seguintes, sempre no mesmo dia. Na medida que a familia ia crescendo, os novos membros foram incorporados à experiência.

A série inteira de 33 anos, pode ser vista aqui.
Se alguém descobrir nela o ano exato onde termina a infância e começa a adolescência, ou quando é que se passa à maturidade, por favor me avise.
TUDO IGUAL
[...] o Homem Mediocre é uma sombra projetada pela sociedade; é em essência imitativo e está perfeitamente adaptado para viver em rebanhos, refletindo as rotinas, preconceitos e dogmas reconhecidamente úteis para a domesticidade. Da mesma forma que o Inferior herda a "alma da espécie", o Mediocre adquire a "alma da sociedade". [..]
[...]O mediocre aspira a ser confundido com os que têm ao redor; o original tende a se diferenciar deles. Enquanto aquele se conforma com pensar com a cabeça da sociedade, o outro pretende pensar com a própria. Nisso se baseia a desconfiança que costuma atacar o caráter original: nada parece tão perigoso quanto um homem que pretenda pensar com a sua cabeça.[...]
José Ingenieros, O Homem Mediocre, 1913.
terça-feira, 23 de junho de 2009
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Extra, extra: há um engenheiro fazendo jornalismo!!!
Informamos que a principal notícia do dia, acerca da prisão temporária dos investigados na operação Alta Tensão, está sendo divulgada de primeira mão por um professor engenheiro, através de seu blog, o qual está sendo devidamente linkado por outros blogueiros.
Os sites dos jornais campistas só vão atualizar suas páginas a meia noite.
Os sites dos jornais campistas só vão atualizar suas páginas a meia noite.
TOP FIVE portenho
Observem como são idénticos os CQC da Argentina e do Brasil, com a única exceção dos apresentadores.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Não chores por ti, jornalista.
"Liberdade é a única coisa que você não pode ter a não ser que você a dê para outros"
Tanto em Campos , quanto no Irã hoje, a obtenção de informação ao longo do dia se obtém através da internet. Lá, porque a mídia tradicional está sendo facilmente censurada. Aqui, apenas por desinteresse em investir na atualização on-line. Os blogs, o Twitter e o Facebook são o novo jornalismo.
É a internet que cria novas formas de comunicação, mais rápidas e baratas, facilitando a produção e o acesso às noticias. Vão pra lá, jornalistas! Parem de reclamar da exploração dos barões e baronesas da mídia, pois estes sempre se lixaram do diploma, ainda quando obrigatório.
Somos o que fazemos, não o que dizemos que somos.
William Allen White
Tanto em Campos , quanto no Irã hoje, a obtenção de informação ao longo do dia se obtém através da internet. Lá, porque a mídia tradicional está sendo facilmente censurada. Aqui, apenas por desinteresse em investir na atualização on-line. Os blogs, o Twitter e o Facebook são o novo jornalismo.
É a internet que cria novas formas de comunicação, mais rápidas e baratas, facilitando a produção e o acesso às noticias. Vão pra lá, jornalistas! Parem de reclamar da exploração dos barões e baronesas da mídia, pois estes sempre se lixaram do diploma, ainda quando obrigatório.
O diploma não garantiu bom jornalismo; assim como não garantiu bons salários para os trabalhadores da imprensa. Vocês sabem disso: o que se perseguia com a exigência do diploma era limitar a produção da informação aos universitários, com a vã finalidade de eliminar a concorrência profissional. Paradoxo: se está favor da liberdade de expressão, desde que quem se expressa na mídia sejam somente eles.
Somos o que fazemos, não o que dizemos que somos.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Acerca de Barcelona

Saiu no Blog do Noblat, dia 26 de maio, uma resenha da nossa querida Revista Barcelona:
Revista Barcelona: política, engraçada e incorreta
O humor político feito pela televisão argentina é brincadeira de criança se comparado com a acidez da Revista Barcelona, o veículo mais politicamente incorreto que já vi. Cada capa provoca uma gargalhada, ou forte indignação, mas nunca indiferença. Muito além de uma revista divertida, é uma publicação política, de humor radical. Suas 161 edições são produto direto da crise argentina de 2001 e da evolução de um país que deixou de crer em quase tudo.
O segredo? Não poupar ninguém - políticos argentinos, conflitos internacionais, desgraças, religião, leis polêmicas e até o passado ditatorial e a situação dos repressores militares. E, muito especialmente, os veículos de comunicação tradicionais. “Barcelona é a paródia de um jornal. Há amigos que se juntam para ver vídeos, para jogar Playstation, nós nos juntamos para ler Clarín e nos cagamos de rir”, disse em entrevista Ingrid Beck, uma das diretoras.
Para se ter uma idéia do tipo de humor da Barcelona, apelo a uma de suas capas mais famosas – a que anunciava o romance do ano entre o Papa e Terri Schiavo (a mulher em estado vegetativo, cujos familiares pediam autorização para desconectá-la das máquinas que a mantinham viva). Foi uma gritaria. Outra polêmica ocorreu quando os editores colocaram uma foto de Condoleeza Rice, junto com o primeiro-ministro israelense Ehud Ólmert, e letras em tamanho catástrofe: "TOLERANCIA: Uma negra e um judeu decidem o destino da humanidade".
Há mais títulos engraçados. “Evo Morales não come e só consome coca: greve de fome ou vida de estrela de rock?”, "Confirmam que a solução para limpar a polícia de Buenos Aires é enviar todo o efetivo ao Iraque”, "Exclusivo: já estaria pronta a máquina que poderia ressuscitar Perón". Outra ótima: na semana do escândalo do presidente do Paraguay, Fernando Lugo, a revista anunciava uma entrevista exclusiva “com a única mulher que não tinha dormido com ele”. “É feia, gorda e velha. E diz que a discriminam”.
Barcelona sai a cada 15 dias, quase não tem anúncios e sobrevive da venda em banca – o exemplar custa 5 pesos (cerca de R$ 3). Geralmente se estrutura como se fosse um jornal, com sessões dedicadas a País, Mundo, Sociedade, além de cartas de leitores e quadrinhos. Tem também anúncios fictícios, como o da Bolchetur Viagens, que divulga seus pacotes para Cuba: Visite o Comunismo! Últimos dias! Conheça a ilha antes que regressem Glória Estefan, os turistas norte-americanos e o analfabetismo!
O número mais recente tem como tema central, é claro, as eleições legislativas de 28 de junho. Segundo a Barcelona, os argentinos estão polarizados e devem escolher entre dois modelos de país: Haiti ou Caimán; recessão ou hiperinflação; dengue ou gripe Porcina; emos ou floggers; grupo Telefônica ou grupo Clarín, oligarcas ou boludos!!!
Para rir mais é só acessar: www.revistabarcelona.com.ar
Gisele Teixeira é jornalista. Trabalhou em Porto Alegre, Recife e Brasília. Recentemente, mudou-se de mala, cuia e coração para Buenos Aires, de onde mantém o blog Aquí me quedo (giseleteixeira.wordpress.com), com impressões e descobrimentos sobre a capital portenha.
terça-feira, 16 de junho de 2009
199 anos de política argentina, por CQC
o CQC argentino fez, em menos de 2 minutos, um resumo da triste história política argentina. No final, uma pergunta que pode chegar a ser pertinente no Brasil, se prosperar a reforma política: "você sabe quem está no 4º lugar na lista do partido político que pensa votar?"
Acerca da nostalgia por tempos idos
da coluna de Arnaldo Jabor, hoje no O Globo, sobre a impossibilidade de querer uma cidade que já foi:
Campos carece desse problema de integração social urbana, ou pelo menos não o tem na mesma escala do que no Rio. Mas tem outros, e estivemos discutindo eles nos últimos dias. A esses, acho que também se aplicam as observações de Jabor.
E como reformar as mentes de planejadores e urbanistas "clean"? A bolha antropológica não pode ser explodida. Tem de ser obedecida. A bolha sempre esteve ali, desde o tempo das "Memórias do Sargento de Milícias". Ela sempre esteve aí, só que se arredava nos morros, nas periferias.
Só uma ideologia de reforma que "inclua", que democratize, pode mudar o Rio. Ficou claro: qualquer ideia de reverter a situação é absurda. A ideologia nostálgica só conduz à ideia de genocídio. Para fazer voltar o chopinho dourado na paz dos sábados, só matando os morros. Há 30 anos, era fácil. Havia dinheiro e menos gente. Até hoje, só houve soluções "brancas" para problemas "pardos". Agora, só dá para fazer um plano de salvação social para o Rio a partir da aceitação da ideia do "insolúvel". Os marginalizados têm de ser participantes da reforma.
Não há solução. A partir daí, pode-se começar a pensar. Tudo indica que os novos governantes do Rio já estão pensando assim, como foi a amostra do morro Dona Marta.
Só uma ideologia de reforma que "inclua", que democratize, pode mudar o Rio. Ficou claro: qualquer ideia de reverter a situação é absurda. A ideologia nostálgica só conduz à ideia de genocídio. Para fazer voltar o chopinho dourado na paz dos sábados, só matando os morros. Há 30 anos, era fácil. Havia dinheiro e menos gente. Até hoje, só houve soluções "brancas" para problemas "pardos". Agora, só dá para fazer um plano de salvação social para o Rio a partir da aceitação da ideia do "insolúvel". Os marginalizados têm de ser participantes da reforma.
Não há solução. A partir daí, pode-se começar a pensar. Tudo indica que os novos governantes do Rio já estão pensando assim, como foi a amostra do morro Dona Marta.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Motivos para assistir ‘O Lutador’

1- A história de uma figura que foi destaque na década dos ’80, mas que o tempo, as drogas e a própria existência o tornaram uma caricatura triste de si próprio. A vida do ator Mickey Rourke se confunde com a do personagem, o lutador de ‘catch’ Randy "The Ram" Robinson.
2- Um olhar afetuoso ao mundo do ‘wrestling’, espécie de Vale Tudo exagerado, com o seu companheirismo e as suas lutas arranjadas, mas não por isso carentes de perigo. O mais violento não seja talvez os golpes que os lutadores se desferem, mas o auto-sacrificio a que se obrigam os participantes, tentando fazer do show um espetáculo literalmente sangrento.
3- A maneira como a câmera segue por trás o protagonista ao longo do filme, que lembra àquelas tomadas televisivas de ‘entrada triunfal pro ringue’ dos boxeadores. O diretor Darren Aronofsky tenta dizer que a vida de The RAM é uma luta constante?
4- E finalmente, mas não por último, a contemplação da maravilhosa Marisa Tomei. Uma atriz que aos 44 anos mostra tudo (tudo mesmo) o que não mostrou no começo de sua carreira, sem que ninguém fique com saudades da sua tímida juventude. Ela, e seu personagem, também são lutadoras contra as inclemências que a vida bota perante certas mulheres.
Bielsa é louco mesmo
"A influencia do treinador sempre é relativa...mais uma vez comprovei que o futebol depende exclusivamente dos jogadores"
Que um treinador de futebol que consegue a façanha de colocar seu time num inédito 2º lugar nas eliminatórias para a copa do mundo, à beira da classificação, declare que o mérito do sucesso é apenas dos jogadores, não é de surpreender. Apenas um gesto de (talvez falsa) modestia, ou de carinho e respeito pelos seus subordinados.
"As alegrias esportivas são mais um componente, mas Chile tem outras coisas de que se sentir satisfeito, como a evolução do coeficiente inteletual dos últimos 30 anos...Isso é um indicador muito forte"
Que tente apaziguar a euforia de uma nação não muito acostumada a ver seu time na Copa, sugerindo que o futebol não é tão importante, já chama um pouco a atenção.
Agora que tudo isso seja dito por um argentino, surpreende. O exemplo de trabalho sério, talento e inteligência de Marcelo Bielsa é algo que infelizmente destoa na Argentina de hoje. Um país cuja grandeza de outrora, realizada com as qualidades acima citadas, vai ficando a cada dia mais distante por causa do despreparo, a auto-indulgência e a prepotência.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Para terminar de matar o (assunto do) canal Campos-Macaé
O debate originado pela minha proposta de cobertura do canal Campos Macaé está rendendo pano pra manga no site do Urgente! Excelentes argumentos históricos, técnicos e sociológicos se confrontam de ambos lados.
Do lado ‘contra a cobertura’, estão Vitor Menezes, Rodrigo Rosselini, Wellington Cordeiro, Sergio Provisano e outros. Vale esclarecer que todos eles não concordam com a situação atual do Canal, mas defendem a revitalização das margens, a limpeza de suas águas e o controle dos despejos pluviais.
Do bando ‘a favor da cobertura’ nos situamos eu, Marcelo Bessa, Marcos Valério e (eu acho)a postista-mística Deborah da Vitória de Jesus.
A primeira coisa que fico obrigado a dizer é que não posso utilizar o argumento de que “é praticamente inviável” a restauração do Canal. Depois de sugerir a criação de um super-calçadão, está claro que a imaginação rola solta nesse debate e o que nos deve guiar é apenas nosso ideal acerca da cidade que queremos, sem importar o quanto difícil seria concretizá-la. Afinal, nada será feito mesmo: somos uma cidade pobre, nossos recursos indenizatórios mal podem pagar os salários dos servidores.
Mas tenho outros argumentos para defender a cobertura do Canal, no seu trecho entre o Mercado Municipal e o MacDonalds:
O primeiro, principal e que puxará os outros: o canal é feio e insignificante. Ainda revitalizado, ele não será mais de uma vala larga e extensa, onde inevitavelmente (e aqui sim é pertinente observar isso), depois de cada chuva, a sujeira das ruas da cidade se dirigirão, ainda que todos os despejos cloacais sejam obstruidos.
Como o Canal é feio, tenta ser defendido com os argumentos de que “é um feito da engenharia do século XIX” e de que “foi realizado pelos escravos”. Faz-se uma bela metáfora com o fato de que se estaria propondo 'cobrir pro baixo do tapete' a história campista.
Acho desnecessário esclarecer que sou contra a escravidão antes de dizer que os escravos fizeram o canal não por conta própria, mas por ordem dos brancos, da mesma forma que escravos foram ao Paraguai a matar e serem mortos sob o comando daqueles. Ninguém tira o reconhecimento de seu trabalho opressivo e infame, mas o Canal não deixa de ser uma idéia de brancos executada por negros. Esclarecendo: os escravos fizeram coisas boas e ruins na história do Brasil, mandados sempre pelos seus donos. Deve ser reconhecido seu sofrimento e seu trabalho, é claro, mas não suas obras como de própria iniciativa.
Enquanto à ‘proeza da engenharia’, repito: se ela realmente o fosse, seria mérito dos engenheiros. Talvez o tenha sido no século XIX, mas, aqui entre nós, que façanha é essa de mandar milhares de escravos a fazer um poço de 6 metros e muuuuuuito largo? Para mim, não passa de uma grande covardia. Li em algumas paginas que se compara ao Canal de Suez. A comparação nem sequer é válida pela extensão, são obras de magnitude e complexidade absolutamente desiguais. O Canal Campos-Macaé teve uma finalidade específica e para isso foi realizado. Funcionou enquanto foi útil e depois ficou obsoleto, com o advento da estrada de ferro. Agora, ele não é a pirâmide de Kéops, vamos combinar.
Finalmente, se ele foi coberto na década de ’60, onde hoje está a praça Alberto Sampaio, o que mal faria cobrir os restantes 400 ou 500 metros, até a av. Nilo Peçanha? Os defensores do canal teriam ainda mais de 100 km para venerá-lo, cuidá-lo e navegá-lo.
Não se trata aqui de priorizar o transporte veicular em detrimento dos pedestres, pois a idéia é utilizar a área coberta para construção de um espaço público parquizado, acrescentando apenas uma faixa a cada lado da avenida. Na situação atual, o transito fica engarrafado, devido ao sub-dimensionamento da avenida e ao acréscimo de veículos proporcionado pela ponte Rosinha Garotinho, situação que também se manteria com a proposta do Canal revitalizado. Liberamos nossa fantasia, mas pedir que haja menos carros é como pedir que haja menos população na cidade. E já que vamos ter um Super Calçadão, temos que permitir um lugar para eles passarem, ne?
Conclusão: o Canal é feio hoje. Ele nunca será revitalizado, e ainda que fosse continuaria sujo e bastante parecido com um valão.
Mas, atenção: não deixo de reconhecer se trata de um canal construído por escravos, sob o comando de engenheiros militares, para escoar a produção de açúcar dos fazendeiros do Império.
Do lado ‘contra a cobertura’, estão Vitor Menezes, Rodrigo Rosselini, Wellington Cordeiro, Sergio Provisano e outros. Vale esclarecer que todos eles não concordam com a situação atual do Canal, mas defendem a revitalização das margens, a limpeza de suas águas e o controle dos despejos pluviais.
Do bando ‘a favor da cobertura’ nos situamos eu, Marcelo Bessa, Marcos Valério e (eu acho)a postista-mística Deborah da Vitória de Jesus.
A primeira coisa que fico obrigado a dizer é que não posso utilizar o argumento de que “é praticamente inviável” a restauração do Canal. Depois de sugerir a criação de um super-calçadão, está claro que a imaginação rola solta nesse debate e o que nos deve guiar é apenas nosso ideal acerca da cidade que queremos, sem importar o quanto difícil seria concretizá-la. Afinal, nada será feito mesmo: somos uma cidade pobre, nossos recursos indenizatórios mal podem pagar os salários dos servidores.
Mas tenho outros argumentos para defender a cobertura do Canal, no seu trecho entre o Mercado Municipal e o MacDonalds:
O primeiro, principal e que puxará os outros: o canal é feio e insignificante. Ainda revitalizado, ele não será mais de uma vala larga e extensa, onde inevitavelmente (e aqui sim é pertinente observar isso), depois de cada chuva, a sujeira das ruas da cidade se dirigirão, ainda que todos os despejos cloacais sejam obstruidos.
Como o Canal é feio, tenta ser defendido com os argumentos de que “é um feito da engenharia do século XIX” e de que “foi realizado pelos escravos”. Faz-se uma bela metáfora com o fato de que se estaria propondo 'cobrir pro baixo do tapete' a história campista.
Acho desnecessário esclarecer que sou contra a escravidão antes de dizer que os escravos fizeram o canal não por conta própria, mas por ordem dos brancos, da mesma forma que escravos foram ao Paraguai a matar e serem mortos sob o comando daqueles. Ninguém tira o reconhecimento de seu trabalho opressivo e infame, mas o Canal não deixa de ser uma idéia de brancos executada por negros. Esclarecendo: os escravos fizeram coisas boas e ruins na história do Brasil, mandados sempre pelos seus donos. Deve ser reconhecido seu sofrimento e seu trabalho, é claro, mas não suas obras como de própria iniciativa.
Enquanto à ‘proeza da engenharia’, repito: se ela realmente o fosse, seria mérito dos engenheiros. Talvez o tenha sido no século XIX, mas, aqui entre nós, que façanha é essa de mandar milhares de escravos a fazer um poço de 6 metros e muuuuuuito largo? Para mim, não passa de uma grande covardia. Li em algumas paginas que se compara ao Canal de Suez. A comparação nem sequer é válida pela extensão, são obras de magnitude e complexidade absolutamente desiguais. O Canal Campos-Macaé teve uma finalidade específica e para isso foi realizado. Funcionou enquanto foi útil e depois ficou obsoleto, com o advento da estrada de ferro. Agora, ele não é a pirâmide de Kéops, vamos combinar.
Finalmente, se ele foi coberto na década de ’60, onde hoje está a praça Alberto Sampaio, o que mal faria cobrir os restantes 400 ou 500 metros, até a av. Nilo Peçanha? Os defensores do canal teriam ainda mais de 100 km para venerá-lo, cuidá-lo e navegá-lo.
Não se trata aqui de priorizar o transporte veicular em detrimento dos pedestres, pois a idéia é utilizar a área coberta para construção de um espaço público parquizado, acrescentando apenas uma faixa a cada lado da avenida. Na situação atual, o transito fica engarrafado, devido ao sub-dimensionamento da avenida e ao acréscimo de veículos proporcionado pela ponte Rosinha Garotinho, situação que também se manteria com a proposta do Canal revitalizado. Liberamos nossa fantasia, mas pedir que haja menos carros é como pedir que haja menos população na cidade. E já que vamos ter um Super Calçadão, temos que permitir um lugar para eles passarem, ne?
Conclusão: o Canal é feio hoje. Ele nunca será revitalizado, e ainda que fosse continuaria sujo e bastante parecido com um valão.
Mas, atenção: não deixo de reconhecer se trata de um canal construído por escravos, sob o comando de engenheiros militares, para escoar a produção de açúcar dos fazendeiros do Império.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Era uma vez....
Há muito, muito tempo atrás (3 dias) houve uma operação policial em Campos, onde se cumpriram mandados de busca e apreensão direcionados a apurar os desvios de recursos de uma empresa municipal para os cofres de seu ex-diretor e empreiteiros. Pouco depois os envolvidos foram soltos e o acontecer blogueiro-campista voltou ao seu ritmo normal.
Dizem os memoriosos que houve também uma CPI investigando o mesmo caso, e os mais idosos recordam uma grande operação chamada "Telhado de Vidro" que teria acontecido em tempos ancestrais. Mas tudo parece indicar que são divagações fantasiosas que não se correspondem com a realidade.
sábado, 6 de junho de 2009
quinta-feira, 4 de junho de 2009
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Saldos da blogósfera
Leio no 'Pensar', inspirado livro do português Vergilio Ferreira (1916-1996), o aforismo 562: "Pode que um livro de Kafka seja lido uma só vez, mas há de ser pensado muitas vezes. Um livro de Flaubert ou de Eça de Queiroz pode ser lido muitas vezes, mas ser pensado apenas uma. Pergunta: se depois de lidos você só pudesse ficar com um, qual ficaria na sua biblioteca?".
terça-feira, 2 de junho de 2009
Tô aqui, mas não sei pra que.

Sabe-se que o design gráfico deve ser funcional. Isto é, tem que cumprir o seu objetivo de comunicar. Para a prefeitura de Campos, o importante é que as pessoas saibam que existe uma logomarca.
Observem a placa instalada no muséu de Campos, na praça São Salvador. Da sua area total, mais de dois terços correspondem à horrível identidade visual da prefeitura. No que restou se amontoam todas as informações relacionadas com a obra: tipo de serviço, empresa responsável, valor e quantidade de mão de obra gerada. Imagino eu que seria de bom senso aparecer também a data prevista de finalização, mas parece que não houve espaço suficiente para informações irrelevantes como essa.
A boa noticia é que também ficaram de fora as citações biblícas que costumavam aparecer nas mesmas placas durante o governo municipal de Garotinho.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Democracia negativa
Graças à amável recomendação de Roberto Moraes, este blog recebeu uma quantidade de visitas impressionante (mais de 50!!!)para ler o post sobre as sugestões para viver melhor em Campos.
Agora é hora de dar o crédito a quem merece: quando fiz as considerações sobre democracia eletrônica e a possibilidade de votar o desempenho dos secretários municipais, estava me lembrando de um artigo de Stephen Kanitz sobre a democracia negativa. Nele, Kanitz sugere adotar o procedimento utilizado pelas sociedades empresarias para escolha de seus diretivos, e especialmente,para a demissão destes. O artigo na integra pode ser lido aqui. Peguei o essencial e o modifiquei a meu gosto.
Para alguns pode ser até perturbador ouvir falar de procedimentos empresariais aplicados na administração pública. Mas não estaria mal que a população começasse a controlar como se proprietaria fosse (e ela é) a forma como seus empregados trabalham.
Agora é hora de dar o crédito a quem merece: quando fiz as considerações sobre democracia eletrônica e a possibilidade de votar o desempenho dos secretários municipais, estava me lembrando de um artigo de Stephen Kanitz sobre a democracia negativa. Nele, Kanitz sugere adotar o procedimento utilizado pelas sociedades empresarias para escolha de seus diretivos, e especialmente,para a demissão destes. O artigo na integra pode ser lido aqui. Peguei o essencial e o modifiquei a meu gosto.
Para alguns pode ser até perturbador ouvir falar de procedimentos empresariais aplicados na administração pública. Mas não estaria mal que a população começasse a controlar como se proprietaria fosse (e ela é) a forma como seus empregados trabalham.
Assinar:
Postagens (Atom)
















