sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Acerca da novela do IPTU campista I: a declaração que gostariamos de ver

"O Bloco de Vereadores da Oposição apresenta uma Moção de Aplausos para a sociedade organizada na sua luta contra a cobrança abusiva e ilegal do IPTU, cobrança esta que aprovamos oportunamente. O sucesso dessa luta demonstra mais uma vez a inutilidade da nossa labor parlamentária, que se resume apenas à eventuais solicitações de melhorias urbanas pros nossos currais eleitorais, enquanto mantemos uma atividade fiscalizadora quase vegetativa que nos garanta uma próxima eleição sem maiores contratempos. Parabéns!"

Acerca da novela do IPTU campista II: Esse povo não lê, não?


"Aquele que se converte em Príncipe graças ao favor do povo, deve conservá-lo como amigo, coisa que lhe resultará fácil, pois o povo só pede não ser oprimido."

"(o Príncipe) deve, sobretudo, abster-se dos bens alheios, posto que os homens esquecem mais rapidamente a morte do pai do que a perda do patrimônio."

Maquiavel - O Príncipe


Isso é provocar

Economistas elogiam o modelo de Port-au-Prince

COMO FEZ O HAITÍ PARA TIRAR 150MIL CIDADÃOS DA POBREZA EXTREMA


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Do preconceito à admiração

Quintin (apelido de Eduardo Antin) é uma figura interesantíssima dentro da blogosfera argentina. Foi fundador da revista de cinema “El Amante” e diretor do Festival de Cinema Independente de Buenos Aires. Já citei algumas críticas dele, como aquela acerca de “Tropa de Elite” onde arrebenta (com razão) o filme de Padilha.

Vejam um fragmento do curioso post que escreveu acerca de ‘Budapeste’ de Chico Buarque:

“Na matéria de Beatriz Sarlo que comentamos dias atrás fala-se de Chico Buarque como um autor importante que é lido por um público minoritário. Sarlo fala ‘dos notáveis romances de Chico Buarque’ e quando li isso não acreditei. Tem muita gente que elogia o brasileiro sem medida: de Eduardo Duhalde até os inúmeros (e insuportáveis) seguidores de Caetano Veloso. Só falta agora que Chico Buarque seja um grande escritor, pensei. Não que tenha a priori nada contra o Chico Buarque, acontece apenas que forma parte dessa massa indistinta que é, na minha opinião, a música popular brasileira, na qual apenas consigo distinguir João Gilberto dos outros. É verdade que o meu caso é de preconceito total, preconceito e ignorância, mas de repente lembrei que tinha um romance de Buarque na biblioteca:Budapeste (2003). Lembrei também que uma vez alguém confiável me indicou o romance, indicação que suspeitei pelas razões já expostas. Apenas cheguei a comprar o livro e lá o deixei.

[...] chegamos ao Buarque escritor, que já desde a orelha do livro nos olha com empáfia e vestindo um suéter de gola. O que faz um carioca com um suéter de gola? Continua exilado o Buarque? O problema é que o cara ri com esse ar de presunção porque Budapeste é um romance incrível, de um escritor que apenas pode ser descrito como magistral.”

[...]Há muito mais em Budapeste. Especialmente, porque é também um grande livro sobre literatura, herdeiro do Pierre Menard de Borges. Como Borges, Buarque fala do caráter ilusório da autoria, mas em outros termos. Se El Quijote de Menard tem dois (ou infinitos) autores, os livros que aparecem em Budapeste não possuem nenhum: quem figura como autor não o é, e o autor verdadeiro não pode se revelar. Contudo, mais importante que a verdadeira paternidade do romance (o que, em definitiva, seria um assunto fútil), o que em Budapeste aparece em cada novo jogo de espelhos e de confusões é a inevitável separação entre o escritor e a sua obra, entre uma pessoa cujo destino é ser um farsante, um assinante de autógrafos, carne mediática degradada, e um livro que em definitiva não é de ninguém porque sempre há outra voz por detrás da escrita: um dublê, um fantasma, uma voz detrás da voz, a própria língua. De novo a idéia borgeana (os livros não são de ninguém e são de todos), com a qual Buarque brinca do começo ao fim do romance de cuja orelha nos olha desafiador, como o cara que nunca perdeu um jogo de futebol. Ao mesmo tempo, sua curiosa situação no mundo cultural faz com que possa encarnar sua tese: depois de tudo, é famoso pela sua música e não parece que vá ser muito reconhecido pela sua literatura, confusão que o coloca na mesma situação de José ou Sosze Costa, seu escritor oculto, festejado por motivos errados e ignorado pelo seu trabalho mais pessoal.

[...]É bem possível que ninguém esteja em condições de saber ao todo (começando por ele próprio) se seu trabalho literário é o de um grande autor ignorado ou o de alguém que nunca perdeu completamente seu sotaque estrangeiro e sempre será um outsider. Essa ambigüidade faz ainda mais interessanteBudapeste: afinal, não terminamos de entender como funciona essa maquina chamada literatura."

Agora me deu vontade de ler Budapeste.

A matéria completa de Quintín, em espanhol, está aqui.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A melhor época para ficar em Campos

Sim, eu sei que faz um calor de derreter tijolos. Mas a cidade, entre o natal e o carnaval, fica uma maravilha: poucos carros, pouca gente, pouco barulho. Uma maravilha. Até para trabalhar é bom, porque há pouco serviço.

Tem que sair de férias em março. Ai, aonde você for, também haverá pouca gente.

HAITÍ

"Não sei se Deus existe, mas pelo bem de sua reputação seria melhor se não existisse"

Jules Renard

Serviço de errata alheia

Contrariamente do publicado sábado passado, na coluna de um conhecido arquiteto local num jornal campista, o poema 'instantes' não é de autoria de Jorge Luis Borges. Trata-se na verdade de um famoso caso de texto apócrifo.

Dito poema, que começa com "Se eu pudesse novamente viver a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido"(na verdade parece ter sido copiado da música dos Titãs 'Epitáfio') claramente foge ao estilo literário do escritor argentino. Contudo, talvez seja o texto associado a Borges que teve mais difusão no mundo afora. Será que ele, se pudesse novamente viver a sua vida, trocaria sua 'perfeição' pelo sucesso?

O site http://www.revista.agulha.nom.br/autoria.html traz uma lista de textos atribuídos a não-autores famosos, dentre eles Vinicius de Moraes e Drummond, e intenta descobrir quem foram seus verdadeiros pais biológicos.




quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

CRACHÁS

"Visibilidade - Uma das exigências da prefeita Rosinha junto a seus auxiliares de segundo e terceiro escalões é o uso de crachá, indistintamente. O objetivo é, também, facilitar à identificação de quem, eventualmente, possa estar atendendo mal a usuário do serviço público."

De O Diário – coluna de Hélio Cordeiro



sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

COMO ESTRAGAR UM BAIRRO

O Flamboyant é, com certeza, o bairro mais agradável de toda Campos. Bonito e calmo, nas suas ruas os moradores costumam praticar cooper o dia todo, e nas suas praças as crianças, não apenas as locais, se divertem jogando bola, andando de patim ou no balanço (quando está inteiro).

Poderia se pensar que o Flamboyant é assim porque é um bairro “de gente rica”, mas isso não é exatamente assim. Na verdade, o que fez do bairro uma exceção de urbanismo e qualidade de vida foi o alguma vez rígido gabarito de construção, que impedia basicamente duas coisas: instalação de comércios e construção de prédios de mais de 2 andares.

Assim, respeitando essas duas regras básicas, o Flamboyant evitou a superpopulação, o trânsito de veículos comerciais e o trafego intenso de carros. Logicamente, uma questão de mercado fez com que terrenos ali instalados se valorizassem, ao ponto de resultar acessíveis apenas para os que estão em melhores condições econômicas. Mas foi o planejamento urbano que valorizou o Flamboyant. Certamente, se todos os bairros da cidade seguissem algum tipo de gabarito planejado, Campos toda seria mais democrática no aspecto da beleza urbana.

Infelizmente, parece haver uma despreocupação absoluta por parte do governo (o atual e os anteriores) em relação à maneira como a cidade cresce. Basta andar pelas ruas de Guarús, por exemplo, com o seu traçado urbano labiríntico, ou observar como na área da Pelinca, a cada dia, pipocam prédios de 15 ou 20 andares, respondendo a uma especulação imobiliária sem controle que está devastando bairros outrora tranqüilos como o Parque Tamandaré.

Bem, agora parece que chegou a vez de arruinar o Flamboyant:

Há algum tempo que a altura máxima de dois andares vinha sendo driblada, especialmente na área conhecida como “Flamboyant 2”, onde podem se ver edifícios com 3 andares. Também, nas ruas Caldas Viana e Osvaldo Tavares, em pleno “Flamboyant 1” há um prédio de 5 andares que viola a limitação do bairro. Mas agora, o desrespeito é anunciado com orgulho: na rua Aurélio Francisco Gomes nº 88 será construído o “Soberano”, anunciado como “o primeiro edifício com mais de seis pavimentos no Flamboyant”.

Não consigo entender a quem pode beneficiar isso, tirando a imobiliária e a construtora, claro.

Tenho certeza que os responsáveis da obra têm autorização da prefeitura para realizá-la. O que me pergunto é por que as autoridades se empenham em deixar Campos a cada dia menos vivível.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Argentina chora por ele


Mais uma amostra da paixão velatória argentina poderá ser apreciada hoje. O cantante Sandro, desconhecido no Brasil mas bastante popular na América Latina, morreu ontem aos 64 anos vitima de complicações decorrentes de uma infecção generalizada. Sandro foi o autor da música "Tengo", conhecida aqui graças a Sidney Magal. Aqui, a versão original.

Esperam-se longas filas de admiradores aguardando para entrar no Congresso Nacional, onde seus restos serão velados. Assista aqui o lamento ao vivo.

"Na Argentina, os mortos circulam. É a necrofilia ambulatória" Miguel Wiñazki