segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Tropa de Elite continua fascista


Padilha, o diretor de TdE, afirmou ao receber o Urso de Ouro no Festival de Berlim, que o filme com certeza não é fascista, pois assim o declararam os alemães, quem segundo ele, alguma coisa entendem do assunto.

Um filme, entendo eu, fala por si mesmo. Quando precisamos que o proprio diretor nos esclareça alguma coisa sobre a obra, é porque algo está errado.

Me pergunto qual teria sido a reação da crítica se Padilha fosse um reacionário confesso, um extremista de direita. Pois a conclusão ao assistir o filme, sem modificar um fotograma tal qual ele é hoje, poderia ser que se trata da mais genuina expressão da defesa do terrorismo de estado.

A essa altura, Padilha não disse que o filme fala o contrário do que mostra, mas que tem um olhar imparcial sobre o assunto.

O que será que Tropa de Elite "diria", se Padilha não estivesse atrás dele defendendo-o?

No post abaixo, um texto publicado no jornal Perfil de Buenos Aires este fim de semana sobre o assunto, escrito pelo critico Eduardo Antin (Quintin) ex diretor da prestigiosa revista El Amante e organizador do Festival de Cinema Independente de Buenos Aires. Me desculpo de antemão pela tradução.

O artigo original está aqui.

4 comentários:

Aluysio disse...

Como brasileiro, cinéfilo e eventual crítico de cinema, assino embaixo da opinião dos dois argentinos sobre como os brasileiros têm filmado brasileiros. Excelente a crítica do Eduardo Antin.

Xacal disse...

Caro Don Alejandro...

O primeiro impacto do filme é, sem dúvida, a surpresa com o ritmo alucinante, trilha "nervosa", narrativa retraotiva, com algumas lacunas não lineares...
Bela forma...excitante...afina, violência é sempre um "espetáculo"...
Padilha se defende das acusações, e repete o "mantra" de que apenas narrou a realidade...
Errado...mesmo em documentários há arbitragem, nem que seja pela escolha do tema, portanto...
O filme reflete sempre a visão do diretor, caso contrário bastava ensaiar os atores e seguir o roteiro...
Tropa "da" Elite teria o mérito de desnudar a violência policial se escolhesse uma aboradagem crítica, mesmo que isso não implicasse em uma punição, vitimização ou uma moral do hístória tipo bem vence o mal...As narrativas inteligentes não se reduzem a isso...
Destaco dois faslos dilemas abordados pelo filme: policial honesto e violento...não!A violência é uma forma de desonestidade, que tão ruim quanto a mediação da "cervejinha"que repercute e atinge o Estado de direito naquilo que é sua razão de ser, o indivíduo e sua inviolabilidade...
Corrupção é todo atalho que sobrepõe a Lei com medidas de "emergência".
Outra questão é a culpabilização do usuário pelo tráfico...Sem ingenuidade, o usuário tem um comportamento anti-social, mas o que torna a atividade ilegal não é o consumo, é a proibição, legítima ou não (essa é outra discussão)...
O usuário e o traficante da favela são de longe as partes mais "frágeis" dessa corrente que inclui a indústria do pânico midiático, da empresas de "segurança", sistema de lavanderia fianaceira dos Bancos, indústria de armas e insumos (produtos químicos legais), etc.
Como dizia o marqueteiro do Reich, Rosemberg, uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade...

Abraços...Xacal

Gustavo Alejandro Oviedo disse...

Xacal, concordo em gráu, gênero e número. Em setembro do ano passado escrevei uma coisa sobre o filme, quando a unanimidade era mais burra ainda. Se se tomar o trabalho de ir ate esse link abaixo, poderá ler a minha crítica sobre TdE.

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=39593871

Xacal disse...

Don Alejandro,

Há outro aspecto ainda mais perverso...O PM "bonzinho" que estuda Direito na PUC, "toma um banho de civilização", mas diante da lealdade a tropa, opta por essa...Ora, bolas...será que todo mundo que estuda mais um pouco faria essa opção...?Na maioria das vezes, não!!!Quanto maior o nível de escolaridade, mais profissional é a polícia...O único respingo de realidade é o fato de vingar o colega com a morte do traficante...enquanto ao seu cúmplice "mauricinho" reserva apenas um "esculacho"...

No fim, ficou o recado: Policiais são animais que não melhoram com estudo, com Foucault, ou outro qualquer, pois a realidade exige que sejam predadores insanos...O estudo "amolece" o policial...

Vou ler a crítica...