sexta-feira, 4 de abril de 2008

UMA ESCUTA ESTARRECEDORA

(TELEFONE DO PROCURADOR. 15:24H)

- alô, sr. Procurador

- oi, sr. Vereador, como vai?

- Mais ou menos, tô com um problema sério, mas sério mesmo...

- Pode falar

- O pessoal do meu distrito está me pressionando... fazendo várias reclamações de que na comunidade não há saneamento básico, nem ruas asfaltadas. E que a noite todos devem permanecer em suas casas por medo a serem assaltados.

- Bom, você sabe como é...a Prefeitura está fazendo sua parte, mas as vezes os resultados demoram um pouco em aparecer.

- E que eles estão ameaçando com contar tudo.

- Como assim?

- É...que vão botar a boca no trombone, que a casa vai cair...

- Mas perai, o que é que eles podem falar?

- Dizem que vão contar para as pessoas do resto do município a pouca atenção que recebem por parte do governo. E que se sentem muito desapontados.

- O quê??? Mas isso é muito grave!!!

- Pois é...

- Meus Deus...você tem que acalmá-los. Que entendam que estamos trabalhando sem descanso...

- Sei...

- ...E você também tem que fazer sua parte.

- Como assim? Eu faço, Procurador... tenho duas ambulâncias lá. E tento sempre conseguir algum biquinho na prefeitura para quem precisa.

- Mas isso não é bom, senhor vereador. O senhor não tem que fazer isso...

- Ah não?

- É claro... o senhor, se quiser ajudar, deveria legislar para que os recursos dos royalties cheguem a sua comunidade, criando leis que beneficiem toda a população.

- Eu posso fazer isso?

- Não pode, deve! E se quiser ajudar mais ainda, deveria fiscalizar o acionar do Executivo. Você tem que me ajudar a controlar que as ações da prefeitura se submetam ao império da Lei e da Constituição...

- Não temos tempo a perder!!! Vou falar com meus colegas da Câmara. Temos que agir de forma urgente.

- Isso mesmo, ja estou ligando pro Prefeito. Vou comentar o que está acontecendo nessa comunidade. Ele vai ficar furioso, mas tem que saber. Espero que ainda tenhamos tempo de resolver o problema dessas pessoas, antes que fiquem totalmente decepcionados conosco.

- Pelo amor de Deus, nem fale isso...o que vão pensar dos políticos.

- Não somente isso...o que podem pensar do sistema de representação popular!!

- Estamos ferrados...

- Sr. Vereador, não se desespere...Me diga...você não está me ligando de celular, está?

- Não estou não. Me cortaram o celular porque me atrasei mês passado.

- Porque ninguém pode saber que falamos, imagine se esta conversa fosse divulgada...

- Não quero nem imaginar, já estou desligando. Adeus sr. Procurador.

- Boa tarde, sr. Vereador.

(fim da conversa)

Um comentário:

xacal disse...

Na vala comum das obscenidades, a virtude passa a ser imoral...

Tens razão...muito boa a metáfora...